O Corinthians está perto de chegar a um acordo com a Fever para assumir a venda de ingressos para os jogos na Neo Química Arena, substituindo a One Fan. O clube afirma que a mudança é motivada por supostas deficiências nos serviços da One Fan, pela perspectiva de condições financeiras mais favoráveis e pela necessidade de levantar dinheiro rapidamente para cobrir despesas pendentes.
Segundo diretores do Corinthians, a Fever cobraria percentuais menores que a One Fan e pagaria aproximadamente R$50 milhões neste ano. O valor incluiria taxas de assinatura, patrocínio e parte de um pagamento antecipado. Os percentuais e valores exatos não foram divulgados.
Como o mandato de Osmar Stabile como presidente termina neste ano, o Corinthians pretende assinar um memorando de entendimento em vez do contrato definitivo. O documento registraria a intenção de concluir o acordo em 2027, sob a administração do próximo presidente do clube. Espera-se que o contrato final estabeleça detalhes como a presença da marca da Fever na camisa da equipe e o conteúdo a ser promovido nela.
O clube decidiu não adiar o assunto até o próximo ano porque precisa de recursos para as obrigações do dia a dia. Entre elas estão três meses de direitos de imagem atrasados, pagamentos de férias e bônus não pagos ao elenco, o 13º salário e outras dívidas pendentes.
O Corinthians vem buscando substituir a One Fan, que foi contratada em 2022 durante a presidência de Duílio Monteiro Alves. O clube já havia avaliado propostas da Ticketmaster e da Ingresse. A Ticketmaster, que supostamente era a opção preferida da diretoria, desistiu depois que detalhes das ofertas foram divulgados, embora as discussões tenham sido retomadas posteriormente.
O clube enviou vários avisos à One Fan nos últimos meses alegando problemas em seu serviço. A One Fan interpretou os avisos como uma preparação para a rescisão do contrato. Depois de tomar conhecimento do acordo com a Fever pela imprensa, a empresa notificou o Corinthians para que não rescindisse o acordo, classificando tal medida como irregular, e ameaçou recorrer à Justiça para fazer cumprir o contrato. A One Fan nega que tenha deixado de prestar os serviços acordados.
O contrato inclui uma multa rescisória que a One Fan estima em cerca de R$30 milhões, além da exigência de aviso prévio de 12 meses. Diretores do Corinthians reconhecem que a disputa pode levar a processos judiciais, mas afirmam estar confiantes em sua posição, citando supostas falhas na prestação dos serviços e violações de cláusulas contratuais como motivos para a rescisão.
Atualmente, a One Fan administra a venda de ingressos, o programa de associados Fiel Torcedor e o aplicativo Universo SCCP. Pelo acordo, a empresa tem direito a 20% da receita bruta do Fiel Torcedor, 30% dos produtos digitais do Universo SCCP e 6% da receita bruta da venda de ingressos. O contrato não prevê participação financeira da empresa nos planos Minha Cadeira, Minha Torcida ou nos camarotes.
A Fever também poderia assumir o controle de acesso à arena, serviço atualmente administrado pela Ligatech sob um contrato assinado pela atual administração. Nesse caso, a cláusula de rescisão exigiria o pagamento apenas pelos equipamentos instalados pela Ligatech no estádio, estimados em R$500.000.
Fontes: Globo Esporte.